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Passarinho que ao vento

por Felipa Monteverde, em 13.10.15

Passarinho que ao vento voas
sobre as casas e sobre as pessoas,
invejo a liberdade e o horizonte
que te esperam desde a praia ao monte.

Batendo naturalmente as asas
acima da gente e acima das casas
planas e voas e cantas e vives
liberto de tudo e sem medo ou limites.

Quem dera ser ave, ter asas assim
e poder voar sob o céu sem fim…
Acima da gente e acima das casas
tão somente ter alegria e asas.

Quem dera voar, ser ave liberta
de prisões e medos, ter a alma aberta…
Sem medo ou vergonha e sem descaminhos
voar livremente como os passarinhos…

 

Felipa Monteverde

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publicado às 23:15

Abismo

por Felipa Monteverde, em 30.09.14

Espreitei o segredo e o segredo era o mar.

Ou tu, não sei bem.

Inconsciente do perigo, a profundidade abissal ia

envolvendo os meus sonhos e eu sem reparar no erro.

Só procurava saber de onde viera o teu sorriso.

 

Felipa Monteverde

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publicado às 15:36

A gaveta

por Felipa Monteverde, em 03.01.14

A gaveta permanece fechada.

Nada de mais, dirias, nada de mais...

 

Prefiro pensar que tudo foi um jogo,

um jogo com dois jogadores em que ambos

perderam as apostas. Perderam tudo

o que apostaram, o que investiram

num esquema do qual não esperavam o

resultado que obtiveram.

 

Na gaveta fechada as ilusões abrem caminho

por entre o mofo, querem espreitar as saudades.

Não permito que o façam, a gaveta jamais

se abrirá. Só o jogador que tem a chave 

poderia abri-la, e esse não sou eu nem tu...

 

Felipa Monteverde

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publicado às 22:19

Cartas de amor

por Felipa Monteverde, em 25.04.13

Cartas de amor, quem as não deseja?

Quem as não escreveu já? Quem não

desesperou para fazer letra bonita,

num papel bonito, com lindas palavras?

 

"Todas as cartas de amor são ridículas",

dizia o poeta. Deixá-las ser, se são de amor.

E se o amor é ridículo, deixá-lo ser também.

É ridículo mas é bom, sabe bem.

E receber cartas de amor também sabe bem,

por mais ridículas que sejam.

 

Escrevamos, pois cartas de amor.

De amor sentido, sincero. Ridículo até.

Mas amor, muito amor. Amor em cada letra,

em cada palavra escrita. Por ridícula que seja.

 

Felipa Monteverde

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publicado às 23:08

Que o amor seja bom

por Felipa Monteverde, em 03.03.13

Amar é bom ou mau?

Depende sempre do sucesso desse amor.

 

Por vezes nem sabemos o que queremos

o que desejamos receber da vida, sabemos apenas

que queremos amar e ser amados.

Que o amor seja bom

que traga com ele o carinho e a ternura.

E que seja eterno.

 

Queremos amar, entrelaçar

a nossa vida com a vida de alguém.

Alguém a quem damos o nome de amor

alguém a quem nos entregamos e

que se nos entrega, tão simples como isso.

 

Amar seria tão simples

se a vida não fosse tão complicada.

Mas somos nós que a complicamos.

 

Felipa Monteverde

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publicado às 22:18

Doidice

por Felipa Monteverde, em 23.01.13

Somos todos doidos.

A doidice sempre me atraiu, aliás.

Lembro-me de ouvir cantigas, antigamente

em que "minha doidice" era

o mesmo que "meu amor".

 

Ser doido era portanto ser amado.

E eu gostava das cantigas e gostava 

das palavras. E do tom com que as cantavam.

 

"Minha doidice" era lindo de se dizer.

Era bom de se ouvir.

 

São todos doidos,

os enamorados, mas o amor é uma doidice

de que é bom padecer.

 

Felipa Monteverde

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publicado às 21:47

Ser ou não ser

por Felipa Monteverde, em 02.01.13

Ser ou não ser, eis a questão

há muito levantada. Isto quer dizer

que se tem de ser e a saber

ou a ignorar a condição?

 

Isto não vai sair nada

que se possa ler na palhaçada

ou na seriedade da ilusão...

mas ser ou não ser é a questão

que há muito trago em mim guardada

e a que quero muito responder.

 

Mas não sei nada, nada 

do que sou ou irei ser...

e esta questão a deixar-me enervada

sem saber o que lhe responder...

 

Felipa Monteverde

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publicado às 23:20

Fantasia de infinito

por Felipa Monteverde, em 18.12.12

Iniciei no tempo a fantasia do infinito.

Olhei as minhas mãos, já cansadas e doridas

e arrumei na gaveta dos segredos o desejo que

sentia. Nada mais quero

a não ser a fantasia de querer o infinito.

Nos meus sonhos nada mais cabe agora.

 

As minhas mãos cansaram-se da procura

de buscar algo incerto que não lhes pertence.

E nem sei o que seria, o que buscavam 

num tempo que não as reconhece.

Um tempo que esqueci e onde me enterrei.

Ou me enterraram. Mas nada importa agora

iniciei nesta sepultura a fantasia do infinito.

Prosseguirei até o encontrar.

 

Felipa Monteverde

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publicado às 00:12

A carta II

por Felipa Monteverde, em 11.12.12

Calei o medo e iniciei a carta.

A carta que nunca deveria ter escrito.

 

Por vezes sente-se urgência

em despachar sentimentos

revoltas ou amargas lembranças e traições.

Mas, pobres corações enamorados,

que mesmo sabendo-se amados

sofrem tantas e tantas desilusões.

 

O tempo passa e a desconfiança aumenta.

Por vezes o tempo consegue acalmá-la

mas quando não consegue acontece um furacão

dentro do coração que a acalenta.

 

E sofre-se.

Escrevem-se cartas de despedida.

E em cada missiva a cruel certeza

de que não é um adeus que se deseja.

 

Felipa Monteverde

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publicado às 23:53

A carta

por Felipa Monteverde, em 07.11.12

A carta nunca teria sido escrita

se não fossem os ciúmes a ditarem-na.

Uma carta amarga e espinhosa

que em cada letra transportava o fel

que lá puseram os seus olhos.

 

Olhos de ver tudo... até sorrisos

que não existiam, carinhos nunca mostrados

beijos que jamais foram trocados.

 

Era o ciúme um animal feroz que a atacara

e ela abandonara-se às suas garras

dilacerara nas suas presas o coração.

 

Traidor, o ciúme.

Traidor também o amor, que doía demais

que fazia doer tanto o seu peito.

Traidor também ele, que permitira

que o ciúme a atacasse sem que se pudesse defender.

 

Perante tanta traição, restara-lhe escrever a carta

ditada pela amargura que o ciúme colocara

no seu coração. Alguém a leria?

Dúvidas que tinha, certezas lhe darão...

 

Felipa Monteverde

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publicado às 23:01