Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Fantasia de infinito

por Felipa Monteverde, em 18.12.12

Iniciei no tempo a fantasia do infinito.

Olhei as minhas mãos, já cansadas e doridas

e arrumei na gaveta dos segredos o desejo que

sentia. Nada mais quero

a não ser a fantasia de querer o infinito.

Nos meus sonhos nada mais cabe agora.

 

As minhas mãos cansaram-se da procura

de buscar algo incerto que não lhes pertence.

E nem sei o que seria, o que buscavam 

num tempo que não as reconhece.

Um tempo que esqueci e onde me enterrei.

Ou me enterraram. Mas nada importa agora

iniciei nesta sepultura a fantasia do infinito.

Prosseguirei até o encontrar.

 

Felipa Monteverde

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:12

A carta II

por Felipa Monteverde, em 11.12.12

Calei o medo e iniciei a carta.

A carta que nunca deveria ter escrito.

 

Por vezes sente-se urgência

em despachar sentimentos

revoltas ou amargas lembranças e traições.

Mas, pobres corações enamorados,

que mesmo sabendo-se amados

sofrem tantas e tantas desilusões.

 

O tempo passa e a desconfiança aumenta.

Por vezes o tempo consegue acalmá-la

mas quando não consegue acontece um furacão

dentro do coração que a acalenta.

 

E sofre-se.

Escrevem-se cartas de despedida.

E em cada missiva a cruel certeza

de que não é um adeus que se deseja.

 

Felipa Monteverde

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:53